terça-feira, 14 de abril de 2026

O fantasma da velha escola - 10



No intervalo, Marcão e Alfredinho procuraram Lilith, que os rechaçou:

-Não venham me incomodar!

-Lilith - Marcão fingiu não ouvir - o José Afonso ainda aparece para você?

-Não vou responder!

-Talvez fosse melhor você dizer, gatinha. A gente nota de longe que você está cansada.

Com raiva, Lilith respondeu:

-E por que vocês querem saber?

-Lilith, o Alfredinho contou que o José Afonso lhe disse que não nos queria no velório. E eu sonhei com ele! Foi um sonho horrível! Por que fazer segredo, menina? Nós três estamos metidos nisso!

Lilith pareceu se ofender com as palavras de Marcão, respondendo:

-Eu estou metida nisso?

Alfredinho apoiou Marcão:

-Você está tão envolvida quanto a gente sim, Lilith.

-Afinal, você podia ter se calado, não podia? Por que foi nos dizer que o José Afonso apareceu para você?

Marcão viu que Lilith ficara furiosa, pois os olhos escureceram de repente, fixando-se nele de forma desafiadora.

-E vocês podiam não ter feito a burrada que fizeram, não podiam? Por que foram lá? Agora, a menina quer mais almas lá!

-Como é? os rapazes se assustaram.

-Não vou dizer mais nada!

-Lilith, por favor.Marcão a segurou.

A menina falou com raiva:

-A menina morta matará qualquer um quer for à velha escola. Depois que matou o José Afonso, quer matar mais.

-E o José Afonso?

-Ele quer assombrar vocês até dizer chega. No velório, eu pedi a ele que desistisse, mas ele não mudará de ideia tão cedo.

Alfredinho resolveu contar o sonho que tivera com José Alfredo. Quando ele terminou, Lilith tinha um ar preocupado que Marcão não deixou de perceber, principalmente enquanto Alfredinho narrara sobre a canção que José Afonso cantara sobre Alfredinho virar uma caveirinha.

-Lilith, o que será que isso significa? Alfredinho estava angustiado?

-E-eu não sei.

-Meu Deus- Marcão sentou no banco - será que ele vai nos torturar para o resto da vida? Lilith, não há nada que possamos fazer? Você podia...

-Marcão, Alfredinho, eu já pesquisei sobre isso e digo uma coisa: não devemos mexer com o mundo espiritual. Portanto, não se metam. Qualquer coisa que fizerem na tentativa de resolver o problema só servirá para piorá-lo.

-E vamos deixar o José Afonso nos perturbando?

-Cale a boca, Marcão. O José Afonso anda me atormentando de uma maneira que beira o insuportável. Lilith se levantou e saiu de perto deles.

Sozinhos, eles ficaram olhando um para o outro.

-Que vamos fazer, Marcão? O José Afonso está muito furioso!

-Bem, a Internet tem tudo, não é?

-Que está pensando em fazer?

-Qualquer coisa.

-Mas não será perigoso?

Nos dias que se seguiram, Marcão e Alfredinho foram tendo pesadelos. Em um deles, além de ver um José Afonso decomposto, Alfredinho ouvia uma risadinha de menina, maliciosa e zombeteira. Depois, uma vozinha perversa dizia:

- Venha, Alfredinho, venha ficar conosco. É divertido.

E Alfredinho, sem entender, andava até à escada, puxado por um poder irresistível, parando ao ver o corpo de uma menina de uns oito anos, caída de lado e vestindo um uniforme escolar. A menina tinha cabelos longos e escuros, era alta e de pernas longas. Alfredinho despertou gritando.

 

 

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