No intervalo, Marcão e Alfredinho procuraram Lilith, que os rechaçou:
-Não venham me incomodar!
-Lilith - Marcão fingiu não ouvir - o José Afonso ainda aparece para você?
-Não vou responder!
-Talvez fosse melhor você dizer, gatinha. A gente nota de longe que você está cansada.
Com raiva, Lilith respondeu:
-E por que vocês querem saber?
-Lilith, o Alfredinho contou que o José Afonso lhe disse que não nos queria no velório. E eu sonhei com ele! Foi um sonho horrível! Por que fazer segredo, menina? Nós três estamos metidos nisso!
Lilith pareceu se ofender com as palavras de Marcão, respondendo:
-Eu estou metida nisso?
Alfredinho apoiou Marcão:
-Você está tão envolvida quanto a gente sim, Lilith.
-Afinal, você podia ter se calado, não podia? Por que foi nos dizer que o José Afonso apareceu para você?
Marcão viu que Lilith ficara furiosa, pois os olhos escureceram de repente, fixando-se nele de forma desafiadora.
-E vocês podiam não ter feito a burrada que fizeram, não podiam? Por que foram lá? Agora, a menina quer mais almas lá!
-Como é? os rapazes se assustaram.
-Não vou dizer mais nada!
-Lilith, por favor.Marcão a segurou.
A menina falou com raiva:
-A menina morta matará qualquer um quer for à velha escola. Depois que matou o José Afonso, quer matar mais.
-E o José Afonso?
-Ele quer assombrar vocês até dizer chega. No velório, eu pedi a ele que desistisse, mas ele não mudará de ideia tão cedo.
Alfredinho resolveu contar o sonho que tivera com José Alfredo. Quando ele terminou, Lilith tinha um ar preocupado que Marcão não deixou de perceber, principalmente enquanto Alfredinho narrara sobre a canção que José Afonso cantara sobre Alfredinho virar uma caveirinha.
-Lilith, o que será que isso significa? Alfredinho estava angustiado?
-E-eu não sei.
-Meu Deus- Marcão sentou no banco - será que ele vai nos torturar para o resto da vida? Lilith, não há nada que possamos fazer? Você podia...
-Marcão, Alfredinho, eu já pesquisei sobre isso e digo uma coisa: não devemos mexer com o mundo espiritual. Portanto, não se metam. Qualquer coisa que fizerem na tentativa de resolver o problema só servirá para piorá-lo.
-E vamos deixar o José Afonso nos perturbando?
-Cale a boca, Marcão. O José Afonso anda me atormentando de uma maneira que beira o insuportável. Lilith se levantou e saiu de perto deles.
Sozinhos, eles ficaram olhando um para o outro.
-Que vamos fazer, Marcão? O José Afonso está muito furioso!
-Bem, a Internet tem tudo, não é?
-Que está pensando em fazer?
-Qualquer coisa.
-Mas não será perigoso?
Nos dias que se seguiram, Marcão e Alfredinho foram tendo pesadelos. Em um deles, além de ver um José Afonso decomposto, Alfredinho ouvia uma risadinha de menina, maliciosa e zombeteira. Depois, uma vozinha perversa dizia:
- Venha, Alfredinho, venha ficar conosco. É divertido.
E Alfredinho, sem entender, andava até à escada, puxado por um poder irresistível, parando ao ver o corpo de uma menina de uns oito anos, caída de lado e vestindo um uniforme escolar. A menina tinha cabelos longos e escuros, era alta e de pernas longas. Alfredinho despertou gritando.
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