Uma manhã, Virgínia foi à escola, ressabiada, os braços agarrando os livros e cadernos como se sentisse a necessidade de se apoiar em algo. As outras meninas olhavam para ela dando risadinhas e os meninos se aproximavam dela dizendo:
-Puxa, Virgínia, eu não acredito que você é tudo isso, hein.
-Sai de perto de mim, seu nojento!
-Ué, mas você...
-Cai fora! Não dei liberdade para falar comigo assim!
-Como não, Virgínia? Pensa que a gente não viu o seu Facebook?
-É tudo mentira!
-Ah, pois eu quero...
A menina correu, agoniada. Foi sentar junto de duas amigas, que se afastaram.
-Ei, esperem!
-Não dá, Virgínia.
-Mas a gente sempre foi amiga.
Cassandra olhou de muito longe e entrou na sala onde estudava. Michele conversava com umas amigas.
-Quem diria que a Virgínia, hein.
-Essas meninas quietinhas são as piores.
Desta vez, Cassandra se dirigiu até elas e disse:
-Tudo mentira. Tenho certeza que a Virgínia foi vítima de alguém que entrou na conta dela e inventou tudo!
-Ah é, esquisita?
-É sim. E eu espero que logo se descubra quem foi.
-Por que você a está defendendo? Ela não é sua amiga!Michele se enraiveceu.
-Porque o que vocês estão fazendo com ela é errado! Inventaram uma mentira contra ela e vocês, sem nem saberem se é verdade, ficam atacando a coitada.
-Vá ficar no seu canto, sua esquisita!retrucou uma moça.
Narciso entrou na sala e notou que Cassandra olhava para ele. Resolveu brincar:
-Como vai, gatinha? Gosta de minha jaqueta nova?
-...
-O que foi? Está sem fala? Ah, adoro esse seu jeito tímido. Você está um encanto!
-Vem, Narciso. Pare de zoar com ela!chamou Marcelo.
Indo sentar ao lado de Marcelo, Narciso se gabou:
-Vê que ela está caidinha por mim, Marcelo?
-A Cassandra?! Ela nem olha para você!
-Estava olhando agora.
Discretamente, Marcelo espiou Cassandra. A moça olhava para onde Narciso e ele estavam sentados e Marcelo entendeu que ela sabia que eles falavam dela e ele a espiava. Desconfortável, parou de espiá-la e reclamou:
-Ah, Narciso, você fala muita besteira!
-Ela gosta de se fazer de difícil.
-Você é muito besta, Narciso!
Quando chegou o intervalo, Cassandra foi à biblioteca, onde procurou o canto mais afastado para ela. Sentou no chão, pernas cruzadas, um livro aberto no colo.
Ali, naquele ambiente silencioso, seu semblante ficou mais suave e ela respirou fundo, como se aliviada.
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