O fantasma da velha escola - Epílogo
Lilith estava diante do túmulo de Alfredinho. Ela não fora ao enterro e seus pais a haviam transferido da escola logo após a tragédia. Também não vira mais Marcão. Soubera apenas que se dissera que Alfredinho morrera por causa da maldição do fantasma da velha escola. Mas não teve muito tempo para divagar pois escutou passos em sua direção e se virou, surpreendendo-se.
-Marcão?!
Ela mal o reconheceu. Estava muito magro e com um ar doentio.
-Oi, Lilith. Não pensava que a veria de novo.
-Meus pais acharam melhor que eu saísse da escola.
-Eu também saí, porque não aguentava mais ver aquela... escada e...
-E o que, Marcão?
-Todo mundo me colocou na geladeira depois que soube que fugi e não tive coragem de fazer nada por meu amigo. Os pais do José Afonso apareceram lá em casa, xingando-me e culpando-me e a mãe do Alfredinho me chamou de assassino! Ela disse que matei seu único filho!
Lilith sentiu pena de Marcão. Ele podia ter errado, mas merecia ser tão punido?
-Sinto muito, Marcão. Eu não acho que você merece isso.
-Agora, o Alfredinho também aparece nos meus sonhos. Mesmo durante o dia, sei que estou sendo rodeado por esses malditos fantasmas, Lilith. Voltaram a aparecer para você?
-Não. Acho que pensam que não precisam me dizer mais nada.
-Você mal me reconheceu. Estou horrível, não estou?
-Está precisando se cuidar.
-Meus pais já me levaram até a um templo evangélico. Por sinal, vejo que nunca mais botou preto.
-Cansei de curtir tristezas, Marcão. Depois que me abri com meus pais, eles têm me ajudado, mas nunca será fácil.
-Você ainda...?
-Sim. Vou ver até morrer. Não posso fazer nada. Se pudesse, nunca mais veria. Marcão, estou indo.
-Lilith, desculpe pelo que lhe fiz.
-Está tudo bem. Você estava com medo, eu entendo. Cuide-se. Gostaria de poder lhe ajudar, mas ainda não consigo ajudar nem a mim mesma. Até mais.
-Até.
Apressando o passo, Lilith saiu do cemitério. Podia ver espíritos aqui e ali. Alguns lhe eram indiferentes. Outros, vendo que ela podia vê-los, acenavam.
-Aprenderei a viver com isto. Espero que Marcão consiga ter paz, também.
Sim, viver! Era tudo que ela podia fazer. Viver e enfrentar o que lhe aparecesse.
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